Neste artigo trataremos sobre a importância do cumprimento do objetivo de desenvolvimento sustentável 2 (ODS 2) para o enfrentamento aos problemas relacionados à fome, e da necessidade da prática da agricultura sustentável no Brasil e no mundo.

Por Thaisa Martins Lourenço, para o Instituto Aurora

A Organização das Nações Unidas criou em 2015 um pacto global que foi assinado por mais de 190 países, inclusive o Brasil, chamado Agenda 2030. Os objetivos de desenvolvimento sustentável estão dentro desta Agenda, e estabelecem metas mais que urgentes a serem cumpridas pelos países em busca da transformação do mundo, bem como auxiliar ao enfrentamento dos principais problemas globais ligados ao desenvolvimento sustentável.

A Agenda 2030 contempla 17 ODS (objetivos de desenvolvimento sustentável), com 169 metas a serem alcançadas, tais quais: a erradicação da pobreza, saúde, mudanças climáticas, educação e promoção da vida digna para todas as pessoas. Se você tiver mais interesse sobre esse assunto é só acessar o artigo a respeito: ODS: o que esta sigla significa e como ela impacta o mundo hoje.

Dentre os objetivos contemplados na Agenda 2030 tem-se o objetivo de desenvolvimento sustentável 2, que trata do combate à fome e da agricultura sustentável. Tal objetivo visa garantir que até 2030 todas as pessoas em situações vulneráveis tenham acesso a alimentos seguros e nutritivos para o ano todo e seja erradicada a pobreza.

Outras metas a serem alcançadas dentro desse objetivo são: acabar com todas as formas de desnutrição; dobrar a produtividade agrícola e a renda dos pequenos produtores; garantir sistemas sustentáveis de produção de alimentos e implementar práticas agrícolas resilientes; corrigir e prevenir as restrições ao comércio e distorções nos mercados agrícolas mundiais, entre outras.

Qual é a importância do ODS 2 no Brasil e no mundo?

Para entendermos a relevância do objetivo de desenvolvimento sustentável 2 no Brasil e no mundo, precisamos nos deparar com alguns dados importantes acerca da fome no Brasil.

Conforme dados levantados pelo IBGE nos anos de 2017 e 2018, em apenas 5 anos havia aumentado o número de pessoas sem acesso regular à alimentação básica, de 3 milhões de brasileiros para cerca de 10,3 milhões de brasileiros que vivem em situação de insegurança alimentar grave. Nesse levantamento, somente foram incluídos os moradores em domicílios permanentes, ou seja, as pessoas em situação de rua estão fora dessa conta.

Outros dados ainda precisam ser destacados. Conforme o mesmo levantamento, o Brasil chegou ao menor patamar de pessoas com alimentação plena e regular; a fome é mais predominante nas áreas rurais; quase metade dos famintos vivem na região nordeste do Brasil; mais da metade dos domicílios onde há fome são chefiados por mulheres.

Vale ressaltar que o levantamento acima mencionado foi realizado nos anos de 2017 e 2018, portanto, no Brasil e no mundo não havia a incidência da COVID-19. Não há dúvidas de que a pandemia, aliada com as crises econômica, política e sanitária agravaram este cenário no Brasil e no mundo.

Um estudo realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania em Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Pessan), em 2020, identificou que pessoas que não se encontravam em condição de extrema pobreza também estão sofrendo insegurança alimentar, isso devido ao desemprego e à inflação.

No mundo, conforme relatório das Nações Unidas, cerca de 811 milhões de pessoas enfrentaram a fome em 2020, principalmente devido às consequências da COVID-19.

Diante disso, é perceptível a urgência de se buscar alternativas e efetivar medidas que combatam a fome, sendo que o ODS 2 deve ser cumprido até o ano de 2030.

Por que a agricultura sustentável é medida que se impõe no atual cenário e no ODS 2?

Conforme relatório das Nações Unidas, em 2020, cerca de 811 milhões de pessoas no mundo enfrentavam fome crônica e quase uma em cada três pessoas no mundo (2,37 bilhões) não tinha acesso a alimentos adequados durante o ano todo. 

A agricultura é uma das principais causadoras das mudanças climáticas e dos seus efeitos no Brasil e no mundo, seja por meio de gases de efeito estufa de diversas fontes, estrume em pastagens, fertilizantes, queima de resíduos de safra e mudança no uso na terra, entre outros. Ao mesmo tempo que sofre e é vulnerável aos impactos do clima, como calor extremo, seca e inundações.

O ODS 2 tem como finalidade chamar a atenção e cumprir com a meta da erradicação da fome, mas não só isso, como também diminuir a crise do planeta ocasionada pelas mudanças climáticas.

Caso nada seja feito, o bem-estar humano estará prejudicado. É necessário mudar a agricultura para um apoio mais positivo, igualitário e eficiente para a natureza, através da melhoria dos meios de subsistência e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa, protegendo e restaurando os ecossistemas.

Algumas medidas podem ser tomadas neste sentido: 

  • Prever impactos;
  • Compreender os seus impactos positivos e negativos;
  • Identificar opções de redirecionamento;
  • Refinar a estratégia proposta e detalhar seu plano de implementação;
  • Por fim, monitorar a estratégia implementada.

A mudança na agricultura para torná-la sustentável trará benefícios para o mundo, diminuindo o impacto das crises climáticas e melhorando a produtividade . Assim, conforme o administrador do PNUD, Achim Steiner, “[…] mudar nossos sistemas agroalimentares em uma direção mais verde e sustentável – inclusive recompensando boas práticas, como agricultura sustentável e abordagens climáticas inteligentes – pode melhorar a produtividade e os resultados ambientais […] Isso também aumentará os meios de subsistência de 500 milhões de pequenos agricultores em todo o mundo – muitos dos quais são mulheres – ao garantir condições mais equitativas.”

Acerca da agricultura sustentável, é preciso destacar que se reconfigurado o apoio ao produtor agrícola, em vez de excluí-lo, ajudará a alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição, fomentar o consumo e a produção sustentáveis, mitigar a crise climática, restaurar a natureza, entre outros.

Quais medidas podem ser tomadas para transformar o atual cenário?

Para que possamos cumprir as metas do objetivo de desenvolvimento sustentável 2, podemos praticar algumas das medidas abaixo:

  • Medidas  relacionadas à proteção social para evitar que as famílias vendam bens escassos em troca de alimentos;
  • Fornecimento de acesso a seguro para pequenos agricultores, contra riscos climáticos e financiamento baseado em previsões;
  • Fortalecimento de programas em espécie ou de apoio em dinheiro para diminuir o impacto da COVID-19 e a mudança nos preços dos alimentos;
  • Redução do custo de alimentos nutritivos ao longo das cadeias de abastecimento;
  • Incentivo ao plantio de safras biofortificadas e facilidade ao acesso dos produtores de frutas e vegetais aos mercados;
  • Estímulo de cadeias de valor de alimentos em comunidades pobres por meio de transferências de tecnologia e programas de certificação;
  • Fortalecimento dos ambientes alimentares e mudança no comportamento do consumidor.

Desta forma, podemos verificar que as mudanças no Brasil e no mundo são possíveis, desde que sejam realizadas as políticas e medidas necessárias em busca do bem comum, para erradicar a pobreza e para fortalecer a prática da agricultura sustentável.

Compreendeu a importância do ODS 2 para a erradicação da fome e a prática da agricultura sustentável no Brasil e no mundo? Para saber mais sobre os ODS, continue navegando em nosso blog.

Saiba mais:

>> ODS: o que esta sigla significa e como ela impacta o mundo hoje

>> ODS 11: por cidades e comunidades sustentáveis, inclusivas, seguras e resilientes no Brasil e no mundo todo

>> ODS 12: Consumo e produção responsáveis

>> ODS 13: Ação Contra a Mudança Global do Clima

Algumas referências que usamos neste artigo:

ODS 2. Fome Zero e Agricultura Sustentável | Ipea

Fome no Brasil: em 5 anos, cresce em 3 milhões o nº de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, diz IBGE | G1

Insegurança alimentar voltou a crescer, e fome atinge 19,1 milhões | Rede Brasil Atual

Relatório da ONU: ano pandêmico marcado por aumento da fome no mundo | Unicef

Relatório da ONU pede nova destinação para US$ 470 bilhões de suporte à agricultura que distorce os preços e nos afasta de metas ambientais… | ONU

Pontes ou muros: o que você têm construído?
Em um mundo de desconstrução, sejamos construtores. Essa ideia foi determinante para o surgimento do Instituto Aurora e por isso compartilhamos essa mensagem. Em uma mescla de história de vida e interação com o grupo, são apresentados os princípios da comunicação não-violenta e da possibilidade de sermos empáticos, culminando em um ato simbólico de uma construção coletiva.
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Formações customizadas
Nossas formações abordam temas relacionados à compreensão de direitos humanos de forma interdisciplinar, aplicada ao dia a dia das pessoas - sejam elas de quaisquer áreas de atuação - e ajustadas às necessidades de quem opta por esse serviço.
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Consultoria em promoção de diversidade
Temos percebido um movimento positivo de criação de comitês de diversidade nas instituições. Com a consultoria, podemos traçar juntos a criação desses espaços de diálogo e definir estratégias de como fortalecer uma cultura de garantia de direitos humanos.
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