Podemos observar que cada vez mais, dentro do contexto das nossas relações humanas, temos a necessidade de se falar em empatia, e até mais que isso, nos deparamos com diversas situações cotidianas que nos convidam a pensar sobre o termo e nos trazem questionamentos de “até que ponto isso é tolerável?”. Neste artigo, queremos tratar sobre a importância do exercício da empatia e como a praticar sem tornar toleráveis atitudes e comportamentos incompatíveis com o termo, na sociedade.

Por Thaisa Martins Lourenço, para o Instituto Aurora

(Foto: Barbara Vanzo)

Recorrentemente nos deparamos com notícias e informações relacionadas a atitudes e comportamentos inaceitáveis dentro de uma sociedade democrática, tais como: racismo, violência, xenofobia, lgbt+fobia, intolerância religiosa, entre outros.

O filósofo Franklin Leopoldo e Silva, professor de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), observa que: “o egocentrismo que vigora nas épocas moderna e contemporânea tornou-se um modo de pensar e uma prática tão assimilada que a comunhão entre os seres humanos está até mesmo para além da utopia”.

Nesse contexto, como o exercício de empatia pode ser praticado sem que seu conceito seja esvaziado? Até onde vai o limite que podemos tolerar?

O exercício da empatia e da tolerância como pressupostos na busca do bem comum

A empatia é a atitude e o comportamento em que eu permito ver no outro, um pouco de mim, acolhendo não somente as nossas semelhanças, como também as diferenças existentes entre nós, em busca de reconhecer o outro como um indivíduo único, que possui suas próprias características. 

A empatia nada mais é do que o movimento de se procurar entender a perspectiva do outro sobre determinada questão, ainda que a mesma seja contrária ao que eu acredito, é buscar ver aquilo que o outro enxerga, livre de julgamentos.

“Quem sai ganhando quando vivemos em uma sociedade que não sabe dialogar?”. Será que o resultado dessa polarização e intolerância nos beneficia de alguma forma? Eu acredito que não. Dada a história do mundo, a intolerância e a falta de diálogo só continuam propagando corrupção, desigualdades e violência. Por isso a urgência de criarmos uma cultura do diálogo.” (Carolina Nalon, especialista em comunicação não violenta, fundadora do Instituto Tiê, em artigo publicado na revista E, do Sesc São Paulo)

No entanto, existem situações no nosso cotidiano em que alguns questionamentos relacionados à empatia podem vir à mente, já que parecem ser inconcebíveis numa sociedade que preza pelo bem comum.

E quando falamos em “bem comum”, estamos incluindo todas as pessoas. É justamente nesse ponto, que podemos questionar atitudes e comportamentos que observamos e sabemos ser contrários ao mesmo, mas que tantas vezes toleramos.

Diante disso, é preciso entender o que é a tolerância e até onde vai o limite do que podemos tolerar.

A tolerância é o movimento de se aceitar algo que é diferente, desconhecido ou não desejável, em busca da conexão com o outro e de uma convivência pacífica. 

Esse “aceitar” algo que é diferente daquilo que eu enxergo, é um desafio para o qual somos chamados a enfrentar nos dias de hoje. A cultura do “eu” tem sido disseminada nas redes sociais, na esfera política, em ambientes de trabalho e até em casa, e muitas vezes é difícil saber até onde tolerar certos discursos e comportamentos.

Conforme o filósofo Karl Popper, em sua obra “A Sociedade Aberta e seus Inimigos” (1.945): “a tolerância não deve tolerar a intolerância”, pois isso poderia acarretar na transformação da sociedade, de forma que os intolerantes acabariam com os tolerantes.

A incompatibilidade da coexistência da cultura de direitos humanos e a intolerância

A intolerância não pode ter lugar em uma sociedade democrática de direito, que busca a efetivação dos direitos humanos. Quando falamos de direitos humanos estamos falando do direito que todos e todas têm de viver com dignidade e respeito, sendo que qualquer conduta contrária a isso não pode ser tolerada.

O filósofo Karl Popper (em sua obra acima citada), afirma que: “Tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos ilimitada tolerância mesmo aos intolerantes, se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante do assalto da intolerância, então, os tolerantes serão destruídos.” 

Assim, podemos fortemente enfatizar que se determinada forma de pensar, comportamento, ou ainda, atitude, não busca o bem comum, seja pelo motivo que for, ela não pode ser tolerada.

Neste aspecto, importante mencionar que conforme o ODS 10, da Agenda 2.030, o Brasil terá que: “reduzir as desigualdades existentes dentro do país e entre outros países”. E, mais precisamente na meta 10.2: “Até 2030, empoderar e promover a inclusão social, econômica e política de todos, independentemente da idade, gênero, deficiência, raça, etnia, origem, religião, condição econômica ou outra.”

Desta forma, podemos concluir que é mais do que urgente priorizar pela mudança do nosso olhar sob os mais variados aspectos relacionados à prática da empatia e da tolerância na sociedade.

Precisamos nos manifestar contra comportamentos e atitudes que não são compatíveis com o bem comum, contra discursos de ódio, contra o preconceito, contra a discriminação e a intolerância na sociedade, a fim de que que todos possamos viver com dignidade e em uma sociedade mais justa.

Compreendeu a importância desse tema? Para saber mais, continue navegando em nosso blog!

Algumas referências que usamos neste artigo:

Empatia em tempos de intolerância

Eles não podem vencer: a intolerância não pode sufocar a voz dos tolerantes

ODS 10 – Redução das desigualdades | Ipea

Pontes ou muros: o que você têm construído?
Em um mundo de desconstrução, sejamos construtores. Essa ideia foi determinante para o surgimento do Instituto Aurora e por isso compartilhamos essa mensagem. Em uma mescla de história de vida e interação com o grupo, são apresentados os princípios da comunicação não-violenta e da possibilidade de sermos empáticos, culminando em um ato simbólico de uma construção coletiva.
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Formações customizadas
Nossas formações abordam temas relacionados à compreensão de direitos humanos de forma interdisciplinar, aplicada ao dia a dia das pessoas - sejam elas de quaisquer áreas de atuação - e ajustadas às necessidades de quem opta por esse serviço.
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