A base para o entendimento da empatia tem muito em comum com as ideias que fundamentam os direitos humanos. Neste texto, explicamos um pouco destes conceitos e destas ligações.

Por Mayumi Maciel, para o Instituto Aurora

No Instituto Aurora, entendemos a empatia como um dos nossos valores, e um dos pilares da nossa atuação. Acreditamos que ela nos conecta com o outro, criando oportunidades de reconhecimento da nossa humanidade, mesmo entre pessoas que agem, pensam e são diferentes entre si. 

O termo tem ganhado cada vez mais relevância e é comumente ouvido em nosso dia a dia, seja no trabalho ou no convívio social, mas talvez nem sempre seja interpretado da mesma maneira. Por isso, vamos explicar como podemos compreender a empatia. E também falaremos sobre as conexões entre empatia e direitos humanos, fundamentais quando pensamos em um mundo mais justo socialmente.

Empatia e um pouco de neurociência

A neurociência explica como a empatia se desenvolve a partir de funções do nosso cérebro. Acredita-se que a amígdala, um núcleo no cérebro, seja a chave da experiência da empatia. Existem também os neurônios espelhos, que são células que refletem as ações que observamos. Desta forma, sentimos empatia emocional, pois percebemos e até mesmo podemos sentir o que o outro está sentindo.

Em sua palestra no TED, intitulada “A neurociência da justiça reparadora”, o pesquisador Daniel Reisel conta que até os três ou quatro anos de idade, boa parte das crianças adquire a habilidade de compreender as intenções de outras pessoas. E esses anos iniciais são cruciais: com o passar da idade, pode ser mais difícil desenvolver questões morais. 

Mas não é impossível. Algumas partes do cérebro humano podem passar por neurogênese, que é o nascimento de novas células, durante a idade adulta. Vale ressaltar também que o cérebro é sensível ao estresse do ambiente, que pode causar a redução do crescimento de novas células. Portanto, para mudar nosso cérebro, é preciso mudar e modular o ambiente em que estamos inseridos.

Daniel Goleman, pesquisador da Harvard, defende que crianças e jovens devem desenvolver três tipos de foco – em si mesmo, nos outros e no mundo – para que possam viver bem nos dias de hoje. Ele afirma que é possível ensinar crianças a ter empatia, e que há estudos que apontam que expor crianças e jovens a conteúdos que enfatizam a importância em ajudar, deixa-as mais propensas a tomarem esse tipo de atitude.

Explicando o conceito de empatia

Para o filósofo Edmund Husserl, a empatia permite compreender “essa vivência própria do eu, bem como a vivência por analogia, a percepção do outro em mim e os atos comportamentais em geral”. 

A empatia nos permite ver no outro não apenas naquilo que é semelhante a nós mesmos, mas também vê-lo como indivíduo que tem suas próprias vivências. E a partir desse reconhecimento do outro, torna-se possível a formação de uma comunidade solidariamente afetiva.

Empatia e direitos humanos

Ao longo dos séculos, a humanidade caminhou para uma série de mudanças na forma como a sociedade se organiza e na forma como indivíduos se relacionam uns com os outros. Um marco histórico recente dessa trajetória é a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), aprovada em 10 de dezembro de 1948, que traz um conjunto de diretrizes que se aplicaria a todas as pessoas.

Em seus 30 artigos, a DUDH fala sobre uma série de direitos, como o direito à não discriminação, à igualdade perante a lei, à nacionalidade, à propriedade, à liberdade de opinião e expressão, à educação, à seguridade social, entre outros. De forma resumida, podemos dizer que os direitos humanos entendem que cada indivíduo merece ser tratado com dignidade, liberdade e igualdade.

Para saber mais sobre os direitos humanos e sua história, acesse o nosso artigo O que são direitos humanos e por que são direitos de todos nós.

No livro A invenção dos Direitos Humanos, a historiadora Lynn Hunt demonstra, em diversas passagens, como esta história está muito conectada com o sentimento de empatia.

Podemos voltar ao século XVIII, quando novas formas de expressão em atividades artísticas levaram uma camada da população a entrar em contato com realidades diferentes da sua e a sentirem empatia além das fronteiras de classe, sexo e nação, e não apenas com os seus pares. Isso aparece de forma mais evidente pela leitura de romances como Júlia, de Jean Jacques Rousseau, em que leitores se relacionavam com os sentimentos e vivências da protagonista, ainda que ela fosse de outra classe social ou gênero. Já na pintura, observou-se um aumento da produção de retratos individuais (em vez de coletivos), o que contribuiu para a visão de que cada pessoa é um indivíduo único.

Também neste período passaram a surgir reflexões acerca de temas que dizem respeito aos direitos humanos, como a tortura, a partir do viés da empatia. Em Teoria dos sentimentos morais, de 1759, Adam Smith afirma que somente podemos nos identificar com o sentimento de quem sofre tortura pela identificação imaginativa. O próximo passo seria perceber que também podemos ser objetos de identificação de outras pessoas.

Lynn Hunt afirma que: 

“os direitos humanos dependem tanto do domínio de si mesmo como do reconhecimento de que todos os outros são igualmente senhores de si. É o desenvolvimento incompleto dessa última condição que dá origem a todas as desigualdades de direitos que nos têm preocupado ao longo de toda a história”.

Um exemplo artístico atual que podemos citar que representa bem a relação entre empatia e direitos humanos é a instalação interativa Caminhando em seus sapatos…, do Museu da Empatia. O título é tirado da expressão em inglês “To walk a mile in someone’s shoes” (Caminhar uma milha com os sapatos de outra pessoa), e vem da compreensão de que não se pode julgar alguém sem ter passado por suas experiências de vida. Na instalação, os visitantes escolhem um par de sapatos que podem calçar e caminhar pelo espaço, enquanto ouvem, num fone de ouvido, a história da pessoa a quem eles pertencem, aproximando-se, desta forma, de sua realidade.

Em resumo…

O reconhecimento do outro como um indivíduo igual a mim em suas necessidades e sentimentos, mas único quanto à sua vivência e sua história, é a base para a empatia, e também daquilo que motiva os direitos humanos, como uma forma de assegurar dignidade para todos.

Talvez o grande desafio seja compreender a empatia como algo além de “sentir o que o outro sente”, ou “se colocar no lugar do outro”, entendendo o outro como um indivíduo autônomo. E, falando-se em direitos humanos, um indivíduo autônomo que compartilha dos mesmos direitos que eu e todas as pessoas, independente de vir de uma realidade parecida com a minha ou não.

Para saber mais sobre outras questões relacionadas a direitos humanos, continue navegando em nosso blog.

Algumas referências que usamos neste artigo:

Daniel Reisel: A neurociência da justiça reparadora <Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=tzJYY2p0QIc>

Daniel Goleman: “Temos de ensinar nossas crianças a ter empatia pelos outros e pelo mundo” <Disponível em: https://epoca.globo.com/ideias/noticia/2016/03/daniel-goleman-temos-de-ensinar-nossas-criancas-ter-empatia-pelos-outros-e-pelo-mundo.html>

NEUROCIÊNCIA, COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: POSSÍVEIS APROXIMAÇÕES <Disponível em: http://fucamp.edu.br/editora/index.php/cadernos/article/view/2060/1290>

Valor da vida e valor do mundo: vida ética com os outros. In: Empatia & Solidariedade <Disponível em: https://www.ucs.br/site/midia/arquivos/ebook-empatia-solidariedade_2.pdf>

HUNT, Lynn. A invenção dos Direitos Humanos.

Pontes ou muros: o que você têm construído?
Em um mundo de desconstrução, sejamos construtores. Essa ideia foi determinante para o surgimento do Instituto Aurora e por isso compartilhamos essa mensagem. Em uma mescla de história de vida e interação com o grupo, são apresentados os princípios da comunicação não-violenta e da possibilidade de sermos empáticos, culminando em um ato simbólico de uma construção coletiva.
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Quem é você na Década da Ação?
Sabemos que precisamos agir no presente para viver em um mundo melhor amanhã. Mas, afinal, o que é esse mundo melhor? É possível construí-lo? Quem fará isso? De forma dinâmica e interativa, os participantes serão instigados a pensar em seu sistema de crenças e a vivenciarem o conceito de justiça social. Cada pessoa poderá reconhecer suas potencialidades e assumir a sua autorresponsabilidade.
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A vitória é de quem?
Nessa palestra permeada pela visão de mundo delas, proporcionamos um espaço para dissipar o medo sobre palavras como: feminismo, empoderamento feminino e igualdade de gênero. Nosso objetivo é mostrar o quanto esses termos estão associados a grandes avanços que tivemos e ainda podemos ter - em um mundo em que todas as pessoas ganhem.
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Liberdade de pensamento: você tem?
As projeções para o século XXI apontam para o exponencial crescimento da inteligência artificial e da sua presença em nosso dia a dia. Você já se perguntou o que as máquinas têm aprendido sobre a humanidade e a vida em sociedade? E como isso volta para nós, impactando a forma como lemos o mundo? É tempo de discutir que tipo de dados têm servido de alimento para os robôs porque isso já tem influenciado o futuro que estamos construindo.
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Formações customizadas
Nossas formações abordam temas relacionados à compreensão de direitos humanos de forma interdisciplinar, aplicada ao dia a dia das pessoas - sejam elas de quaisquer áreas de atuação - e ajustadas às necessidades de quem opta por esse serviço.
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Consultoria em promoção de diversidade
Temos percebido um movimento positivo de criação de comitês de diversidade nas instituições. Com a consultoria, podemos traçar juntos a criação desses espaços de diálogo e definir estratégias de como fortalecer uma cultura de garantia de direitos humanos.
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Minha empresa quer doar
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