As eleições municipais de 2020 acontecem em um cenário atípico: envolvem uma pandemia que nos mostra todos os dias as desigualdades existentes entre nós. Escolher em quem votar é, mais do que nunca, um ato que nos demanda responsabilidade – com a democracia, com a cidade onde vivemos e com todas as pessoas com quem compartilhamos este espaço.

Estamos a poucos dias das eleições municipais. E quais são as dúvidas mais presentes aqui no Brasil neste momento quando o assunto é votar? Escolher em quem votar, talvez? Na verdade, dados do Google Trends em seu especial sobre estas eleições nos mostram que, entre as cinco primeiras questões mais buscadas, três delas são sobre como… não votar. As pessoas estão buscando saber: como anular o voto, como justificar o voto e o que acontece se não votarem.

Estas questões são preocupantes, porque nos dizem que tem muita gente enxergando o voto como um ato individual, que diz respeito apenas a uma escolha pessoal. E, sim, votar é um ato individual. Mas com impacto coletivo. Entender este complemento faz toda a diferença.

Por que falamos que o voto é um ato individual de impacto coletivo?

Porque o voto tem efeitos para toda a sociedade.

Mesmo quando você, de forma individual, não encontra uma candidatura que lhe represente totalmente (e por, isso, prefere não exercer o seu direito ao voto), será que não poderia buscar aquelas que estão comprometidas com uma sociedade plural e inclusiva? Onde mais pessoas possam ser representadas nas esferas de poder?

Mesmo quando você, de forma individual, pode não sentir os impactos de determinadas ações de uma pessoa que elegeu, será que outras pessoas não serão afetadas por essas ações? E, se afetadas, será de forma positiva ou negativa? 

Definir em quem votar, então, é mais do que uma questão de identificação pessoal. É algo que nos demanda responsabilidade. Acreditamos que quando nos responsabilizamos por essa decisão, nos colocamos verdadeiramente como parte do processo, e passamos a olhar para o voto como uma ferramenta – indispensável – de transformação.

O voto responsável

A ideia de trazer a palavra responsável para o lado da palavra voto vem do nosso projeto Meu, Seu, Nosso Voto, que teve seu embrião nas eleições de 2018 e, agora, foi retomado e co-criado em parceria com outras quatro organizações: Nossa Causa, Escola da Política, Política por.de.para Mulheres e Instituto Sivis, com apoio do programa Cidade da Gente. 

Neste projeto, buscamos estimular diálogos sobre a responsabilidade presente no ato de votar, principalmente entre jovens que participam pela primeira vez das eleições neste ano.

Se a gente fosse resumir, diríamos que o voto responsável é aquele que não deixa ninguém pra trás. 

“[…] é aquele que considera fundamental uma vida digna a cada pessoa que faz parte de nossa sociedade, sabendo que enquanto uma só pessoa em nosso país ainda for vítima de preconceito, ou não estiver tendo acesso aos seus direitos fundamentais, nós todos estamos errando.” 

Do e-book Construindo o voto responsável: por onde começar

Ou seja, votar com responsabilidade é escolher prezando por uma cultura de direitos humanos. É buscar pessoas comprometidas em fazer da sociedade um lugar para todas e todos.

Mas como levar esta ideia em conta na hora de escolher em quem votar nestas eleições? O que pode ser observado nas candidaturas para saber que este compromisso existe?

Em quem votar: fazendo esta escolha de acordo com direitos humanos

Um bom exercício para começar a reflexão sobre aquela pessoa em quem você está pensando em votar pode ser listar valores com os quais ela mostra estar alinhada. Será que são valores que trazem inclusão? Ou são valores que segregam?

Conhecer o histórico e a atuação profissional da candidata ou candidato – mesmo que a pessoa não tenha experiência anterior em cargos políticos – também é essencial para checar se o discurso e os valores condizem com a prática.

E na hora de avaliar as propostas? Observar o modo como a candidata ou candidato encara algumas temáticas que são alicerces para o desenvolvimento sustentável ajuda a entender se existe um cuidado com a construção de uma sociedade que preza por uma cultura de direitos humanos, que – para nós – significa estar de acordo com a dignidade humana em todas as suas formas. 

Como encara as desigualdades

Em que dimensões aparece a preocupação com as desigualdades nas propostas da candidata ou candidato que você está avaliando?

Observe se a interseccionalidade é um tema presente na pauta. Ou seja, se existe um olhar para o modo como as diferentes opressões – especialmente as de gênero, raça e classe – podem atuar sobre uma mesma pessoa. 

Exemplo prático:

Existem propostas para um planejamento urbano que leva em conta as dificuldades de uma mulher periférica ao circular pela cidade? 

Como encara a educação

O que será que as pessoas em quem você está pensando em votar entendem por educação de qualidade? Seria uma educação que emancipa? Ou uma educação que formata? Uma educação que considera as necessidades humanas? Ou que prioriza as exigências do mercado?

Uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade – como está no quarto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU – é aquela que traz um olhar global para a formação das pessoas. Aquela que busca eliminar as disparidades no acesso à escola, que procura proporcionar espaços de aprendizagem seguros, que fala sobre igualdade de gênero, que promove uma cultura de paz, que resgata e valoriza a diversidade cultural.

E como este olhar para a educação pode se traduzir nas propostas de uma candidata ou candidato em sua cidade?

Exemplo prático:

A preocupação com o cumprimento da Lei 10.639, de 2003, que tornou obrigatório o ensino de história e de cultura africana e afro-brasileira nas escolas – e que, apesar de já existir há quase uma década, ainda não foi implementada de forma significativa.

Como encara o ambiente que nos cerca

Em um ano de pandemia, de recorde histórico de queimadas no Pantanal e de crise hídrica, é esperado que as campanhas falem – e muito! – sobre meio ambiente, trazendo propostas para mitigar os danos que causamos e suas consequências.

Mas de que forma a nossa relação com o ambiente aparece nas campanhas? 

Existe um movimento para conscientizar as pessoas da nossa responsabilidade com o meio que nos cerca? Ou apenas planos de respostas aos problemas que já estão acontecendo?

Ao mesmo tempo, há uma preocupação com os grupos sociais que são mais afetados por mudanças climáticas ou por crimes ambientais?

Exemplo prático:

Nas propostas da candidata ou candidato, existe alguma ação que cobre das empresas – ou as incentive de alguma forma – a busca por alternativas sustentáveis de energia, que contribuam para a redução do aquecimento global?

Como encara a representatividade

Apesar de termos mais pessoas negras do que brancas neste ano como candidatas às prefeituras e câmaras municipais – 50% e 48%, respectivamente – este dado se modifica quando olhamos apenas às candidaturas de prefeitáveis: pessoas brancas são 64% delas, o que ainda nos afasta da paridade racial.

E a paridade de gênero?

As mulheres candidatas a prefeitas aumentaram somente 0,1% em relação às últimas eleições municipais, somando 13% das candidaturas. O número melhora um pouco quando colocamos em proporção tanto as candidatas a prefeitas como as candidatas a vereadoras: 34%. Mais uma vez, a paridade está longe de ser uma realidade.

Independente de sua candidata ou candidato representar ou não uma minoria, a preocupação com a representatividade é um ponto crucial ao observar as propostas.

Exemplo prático:

Há alguma menção de que a equipe será composta priorizando a pluralidade, a diversidade e a representatividade? Gênero, raça e classe serão levados em consideração na composição do time? 

E então, está com o checklist pronto para escolher em quem votar? Compartilhe essa lista!  Aproveite também pra conversar com quem ainda está em dúvida sobre a importância do voto nestas eleições! Você pode baixar o e-book Construindo o voto responsável: 6 roteiros para rodas de conversa para ter ideias de como conduzir este diálogo.

Pontes ou muros: o que você têm construído?
Em um mundo de desconstrução, sejamos construtores. Essa ideia foi determinante para o surgimento do Instituto Aurora e por isso compartilhamos essa mensagem. Em uma mescla de história de vida e interação com o grupo, são apresentados os princípios da comunicação não-violenta e da possibilidade de sermos empáticos, culminando em um ato simbólico de uma construção coletiva.
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Quem é você na Década da Ação?
Sabemos que precisamos agir no presente para viver em um mundo melhor amanhã. Mas, afinal, o que é esse mundo melhor? É possível construí-lo? Quem fará isso? De forma dinâmica e interativa, os participantes serão instigados a pensar em seu sistema de crenças e a vivenciarem o conceito de justiça social. Cada pessoa poderá reconhecer suas potencialidades e assumir a sua autorresponsabilidade.
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A vitória é de quem?
Nessa palestra permeada pela visão de mundo delas, proporcionamos um espaço para dissipar o medo sobre palavras como: feminismo, empoderamento feminino e igualdade de gênero. Nosso objetivo é mostrar o quanto esses termos estão associados a grandes avanços que tivemos e ainda podemos ter - em um mundo em que todas as pessoas ganhem.
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Liberdade de pensamento: você tem?
As projeções para o século XXI apontam para o exponencial crescimento da inteligência artificial e da sua presença em nosso dia a dia. Você já se perguntou o que as máquinas têm aprendido sobre a humanidade e a vida em sociedade? E como isso volta para nós, impactando a forma como lemos o mundo? É tempo de discutir que tipo de dados têm servido de alimento para os robôs porque isso já tem influenciado o futuro que estamos construindo.
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Formações customizadas
Nossas formações abordam temas relacionados à compreensão de direitos humanos de forma interdisciplinar, aplicada ao dia a dia das pessoas - sejam elas de quaisquer áreas de atuação - e ajustadas às necessidades de quem opta por esse serviço.
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Consultoria em promoção de diversidade
Temos percebido um movimento positivo de criação de comitês de diversidade nas instituições. Com a consultoria, podemos traçar juntos a criação desses espaços de diálogo e definir estratégias de como fortalecer uma cultura de garantia de direitos humanos.
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Minha empresa quer doar
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