Neste artigo, trataremos sobre a importância da não-violência e da comunicação não-violenta para a construção do diálogo e de uma cultura de paz na sociedade e sua conexão com os direitos humanos.

Por Thaisa Martins Lourenço, para o Instituto Aurora

(Foto: Jana Rizziolli)

“A não violência é a maior força à disposição da humanidade”. Mahatma Gandhi 

O papel de cada ser humano é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e digna para todas e todos.

A partir da consciência de nós mesmos, podemos praticar ações que ajudarão no desenvolvimento de uma sociedade que busca efetivar direitos e garantias, que respeita a diversidade e que preza pela dignidade humana.

O Dia da não-violência e a sua importância para a sociedade.

Você sabia que as Nações Unidas estabeleceram o dia internacional da não-violência? A não-violência é comemorada no dia 02 de outubro, e foi definida em homenagem ao dia de nascimento de Mahatma Gandhi, líder indiano que promoveu a união e a paz, através do diálogo e de protestos pacíficos.

A violência pode ser percebida em diferentes contextos, sob diversas formas: desde a violação aos direitos humanos, a falta de acesso à justiça, as desigualdades existentes no mundo, aos discursos de ódio, às mudanças climáticas, à falta de educação para todas e todos, entre outros.

O dia da não-violência possui extrema importância para reafirmar a necessidade de se combater a intolerância, a violência, o desrespeito à dignidade humana, e principalmente de incentivar a educação pela paz, respeitando os direitos humanos.

O que é a não-violência?

A origem do termo “não-violência” vem do sânscrito e significa “ausência do desejo de ferir ou matar”. Este termo ficou bastante conhecido devido à luta pela independência da Índia, liderada por Mahatma Gandhi, e pela luta pelos direitos civis dos negros estadunidenses, liderada por Martin Luther King Jr. 

Mahatma Gandhi, líder pacifista afirmava que: “o homem é dotado de uma condição compassiva natural que aparece quando a violência é afastada do coração.”

Assim, o conceito de não-violência pode ser definido como o exercício pessoal de não causar males a si mesmo e ao outro. Através da cooperação e respeito mútuo, é possível resolver conflitos e formar diálogos de paz.

Outra frase emblemática de Gandhi aponta a pobreza como “a pior forma de violência”. Desta maneira, podemos pensar como violência não apenas conflitos de guerra ou agressões com o objetivo de ferir outras pessoas, e sim todo tipo de situação que atenta contra a dignidade humana.

No contexto atual de pandemia e crise econômica, com falta de acesso a direitos como saúde e alimentação, por exemplo, é possível afirmar sim que vivemos um momento de violência. Garantir que todos e todas possam exercer esses direitos é uma forma de construirmos uma sociedade que preza pela não-violência.

O que é a comunicação não-violenta?

A comunicação não-violenta surgiu na década de 1960, durante o movimento a favor dos direitos civis e contra a segregação racial nos Estados Unidos. Foi criada pelo psicólogo estadunidense Marshall Rosenberg, e tem como base o conceito de não-violência.

A comunicação não-violenta é uma forma de abordagem que tem como foco estimular a harmonia e desenvolver a empatia nos relacionamentos interpessoais, tendo em vista a consciência de si mesmo, de como reagimos frente aos desafios da vida e de que forma a atitude do outro nos afeta.

Através da consciência de si mesmo, é possível estabelecer com o outro, uma experiência de maior conexão. A partir do que sentimos, de como nos expressamos e do que precisamos, nos tornamos mais abertos e mais confiáveis para com o próximo, favorecendo uma maior sintonia e facilitando a resolução de possíveis conflitos.

A comunicação não-violenta se inicia na percepção de nós mesmos, por meio de quatro componentes: observação, sentimentos, necessidades e pedido.

Através da observação, é possível perceber a situação ou o fato, livre de julgamentos. Focamos apenas nos nossos sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar. Assim, podemos nos questionar: “O que realmente aconteceu?”

Ao avaliar o que sentimos a partir do fato ocorrido, exploramos a maneira como tal situação ou acontecimento nos afeta, e desta forma, podemos ter um maior controle sobre nossos sentimentos. Podemos então nos perguntar: “Quais sentimentos surgem?”

E ao pensar sobre as necessidades que temos, precisamos aprender a separá-las das estratégias que utilizamos para atendê-las. Interessante destacar que Marshall dizia que através das nossas necessidades poderíamos entender o chamado da vida para que as coisas fluam. Portanto, podemos indagar: “O que preciso neste momento?”

E por meio dessas respostas, podemos fazer um pedido. Ao realizarmos o pedido, temos que ter em consideração o que queremos, as nossas necessidades, e quando queremos, para que o outro compreenda quais são elas. 

Aqui, é necessário estar aberto ao “não”, pois o objetivo da comunicação não-violenta é permitir a construção mútua de resultados a partir do entendimento de ambas as partes envolvidas.

Portanto, para que ocorra a comunicação não-violenta, é necessário antes de entrar em uma conversa, avaliar todos esses questionamentos, não para manipular resultados ou conseguir vantagens, mas sim para reconhecermos quem somos e construirmos juntos o melhor caminho a seguir.

A comunicação não-violenta possibilita a reconexão com as nossas próprias necessidades e também com as dos outros, por meio do desenvolvimento de habilidades sociais que visam o diálogo e a paz nos momentos mais difíceis, podendo ser utilizada desde situações familiares a conflitos diplomáticos.

Por que essa questão se conecta ao ODS 16 (cultura de paz)?

Como vimos, a não-violência começa por cada um de nós, a partir das nossas escolhas diárias pessoais. Através da forma de pensar e agir de cada um, podemos contribuir para a construção de um mundo mais pacífico.

O objetivo de desenvolvimento sustentável 16 das Nações Unidas no Brasil, conforme a Agenda 2030 é: “promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.” Caso você tenha interesse em ler mais sobre esse assunto, é só ler o nosso artigo ODS 16: pela construção e manutenção de uma cultura de paz.

Assim, podemos afirmar que a a não-violência e a comunicação não-violenta se conectam com o ODS 16, pois contribuem para a cultura de paz na sociedade, buscando promover e garantir os direitos fundamentais do ser humano, o respeito à vida e dignidade de cada pessoa, eliminando a discriminação, preconceito, violência, injustiça, desigualdade social, opressão política ou social.


Compreendeu o que é a não-violência e como ela se conecta aos direitos humanos? Para ler outros conteúdos de educação em direitos humanos, continue navegando em nosso blog!

Algumas referências que usamos neste artigo

Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16

QUEM FOI MARSHALL ROSENBERG: parte 1

Cultura de paz e Comunicação Não Violenta

A IMPORTÂNCIA DA CNV COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA NA REALIZAÇÃO DO PROCESSO DE AUTOCONHECIMENTO

ONU destaca proteção de sítios religiosos e ação contra ódio em aniversário de nascimento de Gandhi

Ban: coragem e determinação de Gandhi servem de inspiração para todos

Pontes ou muros: o que você têm construído?
Em um mundo de desconstrução, sejamos construtores. Essa ideia foi determinante para o surgimento do Instituto Aurora e por isso compartilhamos essa mensagem. Em uma mescla de história de vida e interação com o grupo, são apresentados os princípios da comunicação não-violenta e da possibilidade de sermos empáticos, culminando em um ato simbólico de uma construção coletiva.
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Quem é você na Década da Ação?
Sabemos que precisamos agir no presente para viver em um mundo melhor amanhã. Mas, afinal, o que é esse mundo melhor? É possível construí-lo? Quem fará isso? De forma dinâmica e interativa, os participantes serão instigados a pensar em seu sistema de crenças e a vivenciarem o conceito de justiça social. Cada pessoa poderá reconhecer suas potencialidades e assumir a sua autorresponsabilidade.
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A vitória é de quem?
Nessa palestra permeada pela visão de mundo delas, proporcionamos um espaço para dissipar o medo sobre palavras como: feminismo, empoderamento feminino e igualdade de gênero. Nosso objetivo é mostrar o quanto esses termos estão associados a grandes avanços que tivemos e ainda podemos ter - em um mundo em que todas as pessoas ganhem.
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Liberdade de pensamento: você tem?
As projeções para o século XXI apontam para o exponencial crescimento da inteligência artificial e da sua presença em nosso dia a dia. Você já se perguntou o que as máquinas têm aprendido sobre a humanidade e a vida em sociedade? E como isso volta para nós, impactando a forma como lemos o mundo? É tempo de discutir que tipo de dados têm servido de alimento para os robôs porque isso já tem influenciado o futuro que estamos construindo.
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Formações customizadas
Nossas formações abordam temas relacionados à compreensão de direitos humanos de forma interdisciplinar, aplicada ao dia a dia das pessoas - sejam elas de quaisquer áreas de atuação - e ajustadas às necessidades de quem opta por esse serviço.
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Consultoria em promoção de diversidade
Temos percebido um movimento positivo de criação de comitês de diversidade nas instituições. Com a consultoria, podemos traçar juntos a criação desses espaços de diálogo e definir estratégias de como fortalecer uma cultura de garantia de direitos humanos.
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