“Gosto de Amora”, de Mário Medeiros, foi a leitura coletiva organizada pelo Instituto Aurora no mês de agosto de 2021. A partir do livro pudemos refletir sobre questões como masculinidades, paternidade, família e racismo.

Por Mayumi Maciel, para o Instituto Aurora

“Gosto de amora”, de Mário Medeiros, é um livro dividido em duas partes: “Histórias de meninos” e “Homem em janeiro”. São quinze contos que apresentam meninos e homens negros com diferentes vivências.

“Histórias de meninos”

A primeira parte do livro, “Histórias de meninos”, traz personagens que estão na infância ou na adolescência. São, no total, 8 contos:

  • “Fábrica de balas”: Rubi sai da escola aos 15 anos, para trabalhar numa fábrica de balas. Balas que ele nem tinha condição de comprar.
  • “Clássicos do gênero”: Dona Santa trabalha na bilheteria de um cinema e tem especial afeto por um menino que chama de Sorriso Bonito.
  • “Chorões e bananeiras”: Um menino tem um pai que diz que a profissão é de motorista, mas é um mistério. Ao mesmo tempo, está sendo organizada uma festa na favela, e esse acontecimento vai cruzar com sua história.
  • “A estrada na mochila”: Um menino lembra do caminho que fazia com a mãe para a escola, e da ocasião em que chegou um novo colega, Gabriel, do Paraguai.
  • “Pau, panela, apito”: Um grupo de crianças da Vila Cafuné sai “batendo lata” no carnaval.
  • “A exposição do Urso Panda”: O protagonista recebe o apelido de “Urso Panda” pelos seus colegas, devido a sua aparência física. Uma menina, recém-transferida, também sofre com a crueldade dos estudantes.
  • “Sumidouro”: O protagonista vai lembrando de histórias da família, contadas pela avó, e também vividas por ele.
  • “Gosto de amora”: Uma visita ao cemitério é contada pelo olhar poético de um menino, que vai na companhia do pai.

“Homem em Janeiro”

A segunda parte do livro, “Homem em Janeiro”, já traz personagens adultos. São, no total, 7 contos:

  • “Menino a caminho”: O personagem relembra a ocasião da morte de Chet Baker, e intercala essas memórias com sua trajetória pessoal, em que realizou o sonho de ser o primeiro doutor da família
  • “Geral”: O personagem descreve situações que acontecem enquanto assiste a um jogo de futebol na geral.
  • “Figuração”: Jorge Negrão relembra trabalhos na TV, desde a primeira figuração, até o sucesso numa série e o momento presente.
  • “Borracha”: Menezes Mendonça trabalha com borrachas de panela de pressão e tudo na sua vida parece dar errado. Após um sonho, entretanto, sua personalidade muda.
  • “Meias de seda se esgarçando”: O personagem conta sobre seu relacionamento com Alice. Ele, escritor, ela, fotógrafa.
  • “Membro fantasma”:O narrador liga para a família após três dias sem notícias.
  • “Homem em Janeiro”: O protagonista fala sobre Anna, uma mulher que tocava flautim quando a viu pela primeira vez.

O que “Gosto de amora” tem a ver com Direitos Humanos?

Os contos de “Gosto de amora” abordam vários temas que têm relação com Direitos Humanos, mas vamos focar especialmente na questão da diversidade de personagens negros, afastando-se de estereótipos.

Uma pesquisa coordenada pela doutora em Teoria Literária Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília (UNB), revelou que entre os anos 1990 e 2004, as cinco principais ocupações de personagens negros na literatura brasileira eram: bandido, empregado doméstico, escravo, profissional do sexo e dona de casa. Um outro dado, mais recente, não é nada animador: entre 2004 e 2014, apenas 6,9% dos personagens retratados em romances eram negros.

Os personagens de “Gosto de amora” são múltiplos e, mesmo em histórias curtas, apresentam profundidade. No conto que dá título ao livro, por exemplo, o menino fala sobre o pai, que é “gigante” e também afetivo. É um pai que ensina o filho por meio de ditados populares, que coloca nos ombros para colher amora do pé, que se emociona com as visitas ao cemitério.

Outro conto que vale mencionar é “Menino a caminho”, que também nos apresenta uma relação entre pai e filho, mas com o protagonista sendo um homem adulto. O pai parecia ser um tanto rigoroso com a educação do filho, que acaba se tornando o primeiro doutor da família, e questiona se valeu a pena seguir por esse caminho. Mas a conexão entre os dois está lá, pela música, pelas dores, por aquilo que não é dito mas que os dois compreendem.

Quer saber mais sobre as leituras coletivas promovidas pelo Instituto Aurora?

A cada mês, o Instituto Aurora realiza uma votação aberta no perfil do Instagram, para a escolha da leitura coletiva do mês seguinte. Ao final do mês, também é publicada uma resenha como esta em nosso blog, na qual falamos sobre a obra, os assuntos que ela apresenta e sua relação com Direitos Humanos.

Se você quiser se aprofundar mais na leitura no decorrer do mês, e também ter um espaço para compartilhar suas reflexões, pode participar do nosso Clube de Assinatura. Dentre as recompensas disponíveis, temos um Guia de Leitura, no qual apresentamos comentários e perguntas a partir da obra do mês. Também temos um grupo exclusivo no Telegram, onde conversamos sobre livros e outros assuntos.

Pontes ou muros: o que você têm construído?
Em um mundo de desconstrução, sejamos construtores. Essa ideia foi determinante para o surgimento do Instituto Aurora e por isso compartilhamos essa mensagem. Em uma mescla de história de vida e interação com o grupo, são apresentados os princípios da comunicação não-violenta e da possibilidade de sermos empáticos, culminando em um ato simbólico de uma construção coletiva.
Pontes ou muros: o que você têm construído?
Em um mundo de desconstrução, sejamos construtores. Essa ideia foi determinante para o surgimento do Instituto Aurora e por isso compartilhamos essa mensagem. Em uma mescla de história de vida e interação com o grupo, são apresentados os princípios da comunicação não-violenta e da possibilidade de sermos empáticos, culminando em um ato simbólico de uma construção coletiva.
Quem é você na Década da Ação?
Sabemos que precisamos agir no presente para viver em um mundo melhor amanhã. Mas, afinal, o que é esse mundo melhor? É possível construí-lo? Quem fará isso? De forma dinâmica e interativa, os participantes serão instigados a pensar em seu sistema de crenças e a vivenciarem o conceito de justiça social. Cada pessoa poderá reconhecer suas potencialidades e assumir a sua autorresponsabilidade.
Quem é você na Década da Ação?
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A vitória é de quem?
Nessa palestra permeada pela visão de mundo delas, proporcionamos um espaço para dissipar o medo sobre palavras como: feminismo, empoderamento feminino e igualdade de gênero. Nosso objetivo é mostrar o quanto esses termos estão associados a grandes avanços que tivemos e ainda podemos ter - em um mundo em que todas as pessoas ganhem.
A vitória é de quem?
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Liberdade de pensamento: você tem?
As projeções para o século XXI apontam para o exponencial crescimento da inteligência artificial e da sua presença em nosso dia a dia. Você já se perguntou o que as máquinas têm aprendido sobre a humanidade e a vida em sociedade? E como isso volta para nós, impactando a forma como lemos o mundo? É tempo de discutir que tipo de dados têm servido de alimento para os robôs porque isso já tem influenciado o futuro que estamos construindo.
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Formações customizadas
Nossas formações abordam temas relacionados à compreensão de direitos humanos de forma interdisciplinar, aplicada ao dia a dia das pessoas - sejam elas de quaisquer áreas de atuação - e ajustadas às necessidades de quem opta por esse serviço.
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Consultoria em promoção de diversidade
Temos percebido um movimento positivo de criação de comitês de diversidade nas instituições. Com a consultoria, podemos traçar juntos a criação desses espaços de diálogo e definir estratégias de como fortalecer uma cultura de garantia de direitos humanos.
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Minha empresa quer doar
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