Por Luana Lopes

Natasha, Cristiane, Viviane, Thalia, Bianca, Keron, Liliane, Alexia e a menina Raíssa: o que elas têm em comum? São mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pelo fato de serem mulheres. Mulheres vítimas de feminicídio. 

Essas mulheres foram motivo de notícias em jornais entre outubro de 2020 e agosto de 2021, mas contra a efemeridade do jornal, foram também o ponto de partida para o livro Capitu era Capitu: mais mulher que eu era homem, publicado em 2022 e escrito por Cristiane Garcia Teixeira durante a pandemia de covid-19. 

No momento em que o livro foi escrito, o mundo estava ameaçado por um vírus até então desconhecido e que as medidas sanitárias exigiam que estivéssemos recolhidos em casa e na condição de distanciamento social. Porém, estar em casa, para algumas mulheres, era se proteger de um vírus e ir ao encontro de outro já velho conhecido: a violência doméstica. 

Como essas mulheres poderiam se sentir seguras? Para onde correr, se em suas casas a morte também as rondava? 

Partindo desses incômodos gerados pelo aumento das notícias nos jornais sobre os casos de feminicídio no Brasil, a autora encontrou na escrita insurgente contra o machismo uma forma de conversar com as mulheres que se foram e de mantê-las vivas por meio da literatura. 

O livro começa com a “A sentença do julgamento de Capitu”. Nesse início, Teixeira escreve — sem fazer um obituário ou um relato biográfico — em um formato quase de meditação, sobre as chances de ser que foi tirada de tantas mulheres

Sobre Natasha, ela afirma: não foi a fome, a pobreza, a precariedade da vida de quem não é assistida que a matou. Foi o ódio! 

Cristiane tinha cabelos ondulados. Será que gostava do mar? 

O que Viviane transformou no mundo. Se era alegre, qual o último livro que leu. 

Que história contarão aos filhos de Thalia sobre a mãe? 

Quantos aromas, gostos, cores, músicas, poesias esperavam a experiência de Bianca para ser? 

Keron morreu em janeiro, o mês da visibilidade trans, e na escola lamentaram a sua partida precoce, falaram de dor e indignação, mas a chamaram pelo nome de Cosme de Carvalho. 

Liliane foi vítima dessa busca incessante pelo vazio que cabe no “ser bonita”. 

Por fim, Alexa foi guerreira. Que coragem importante o mundo perdeu. A coragem de uma menina de 13 anos! E a parte do mundo que seria transformada por Alexa quem a transformará? 

O capítulo que segue tem como título “A experiência de ser corpo de Capitu” e é definido pela autora como um processo terapêutico de curar as feridas que a sociedade machista causou

Nele, ela apresenta poemas sobre o que é ser mulher, a partir de sua experiência no mundo. A cada poema, as reflexões exploram questões sobre autoconhecimento, a ocupação feminina em espaços subjetivos, as dores de fazer da escrita uma ferramenta de cura e o amor de mulheres de outros tempos e a forma como elas foram amadas, como no poema O amor de minha vó, que tem um trecho que diz assim: 

Mas vó, eu não quero amar como a senhora amou e eu não quero ser amada como a vó foi. Desculpa, vó, de novo. A senhora amou tanto e foi um amor diferente, né? Eu acho bonito, mas eu não quero. 

Na terceira e última parte do livro, “Capitu nunca esteve sozinha”, tem a proposta de instruir, a partir de artigos escritos por profissionais das áreas da Psicologia, do Direito e do Empreendedorismo, mulheres que estejam passando por situações de violência. 

Um dos artigos propõe reflexões sobre os tipos de violência doméstica, identifica vítimas e agressores e apresenta seis leis e decretos criados para amparar mulheres nessa condição. 

Em outro, o debate é proposto a partir da apresentação da história de vida de Maria da Penha, que inspirou a criação da Lei nº 11.340/2006, propõe uma reflexão sobre o papel essencial da Psicologia no enfrentamento da violência e no fortalecimento das mulheres em situação de vulnerabilidade. 

Por fim, buscando incentivar para que mulheres tenham autonomia financeira e assim ampliem as chances de sair de situações de violência, são compartilhadas ações práticas sobre planejamento e educação financeira, além de insights de possíveis formas de geração de renda. 

Pelo título do livro e dos capítulos, é evidente a relação que a autora estabelece com o clássico da literatura brasileira Dom Casmurro, de Machado de Assis. Capitu foi julgada e condenada pelos leitores ao ter sua história narrada por Bentinho, sob a ótica dos valores patriarcais e moralistas da época. 

Na escrita de Teixeira, Capitu se torna símbolo de tantas outras mulheres cuja voz foi apagada: elas ganham vida, têm nomes e se manifestam nas muitas Natashas, Cristianes, Vivianes… mulheres silenciadas das mais diversas formas pela sociedade machista e que agora não estão sozinhas, assim como Capitu nunca esteve. Por que, mais de um século após o julgamento de Capitu, a sociedade ainda é capaz de condenar mulheres apenas por existirem?

Por que usar “Capitu era Capitu” em atividades de Educação em Direitos Humanos? 

A obra literária é também uma manifestação em direção aos Direitos Humanos ao partir da realidade brasileira considerando os casos de feminicídio e debatendo o direito à vida, integridade física e psicológica das mulheres considerando. 

É também um direito à memória e à dignidade das mulheres que estiveram submetidas às situações de violência doméstica e, em último caso, perderam o direito à vida. 

O livro é ainda uma maneira de disseminar informações de proteção e de acesso à justiça e promoção de autonomia. 

Pontes ou muros: o que você têm construído?
Em um mundo de desconstrução, sejamos construtores. Essa ideia foi determinante para o surgimento do Instituto Aurora e por isso compartilhamos essa mensagem. Em uma mescla de história de vida e interação com o grupo, são apresentados os princípios da comunicação não-violenta e da possibilidade de sermos empáticos, culminando em um ato simbólico de uma construção coletiva.
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Em um mundo de desconstrução, sejamos construtores. Essa ideia foi determinante para o surgimento do Instituto Aurora e por isso compartilhamos essa mensagem. Em uma mescla de história de vida e interação com o grupo, são apresentados os princípios da comunicação não-violenta e da possibilidade de sermos empáticos, culminando em um ato simbólico de uma construção coletiva.
Quem é você na Década da Ação?
Sabemos que precisamos agir no presente para viver em um mundo melhor amanhã. Mas, afinal, o que é esse mundo melhor? É possível construí-lo? Quem fará isso? De forma dinâmica e interativa, os participantes serão instigados a pensar em seu sistema de crenças e a vivenciarem o conceito de justiça social. Cada pessoa poderá reconhecer suas potencialidades e assumir a sua autorresponsabilidade.
Quem é você na Década da Ação?
Sabemos que precisamos agir no presente para viver em um mundo melhor amanhã. Mas, afinal, o que é esse mundo melhor? É possível construí-lo? Quem fará isso? De forma dinâmica e interativa, os participantes serão instigados a pensar em seu sistema de crenças e a vivenciarem o conceito de justiça social. Cada pessoa poderá reconhecer suas potencialidades e assumir a sua autorresponsabilidade.
A vitória é de quem?
Nessa palestra permeada pela visão de mundo delas, proporcionamos um espaço para dissipar o medo sobre palavras como: feminismo, empoderamento feminino e igualdade de gênero. Nosso objetivo é mostrar o quanto esses termos estão associados a grandes avanços que tivemos e ainda podemos ter - em um mundo em que todas as pessoas ganhem.
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Nessa palestra permeada pela visão de mundo delas, proporcionamos um espaço para dissipar o medo sobre palavras como: feminismo, empoderamento feminino e igualdade de gênero. Nosso objetivo é mostrar o quanto esses termos estão associados a grandes avanços que tivemos e ainda podemos ter - em um mundo em que todas as pessoas ganhem.
Liberdade de pensamento: você tem?
As projeções para o século XXI apontam para o exponencial crescimento da inteligência artificial e da sua presença em nosso dia a dia. Você já se perguntou o que as máquinas têm aprendido sobre a humanidade e a vida em sociedade? E como isso volta para nós, impactando a forma como lemos o mundo? É tempo de discutir que tipo de dados têm servido de alimento para os robôs porque isso já tem influenciado o futuro que estamos construindo.
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Formações customizadas
Nossas formações abordam temas relacionados à compreensão de direitos humanos de forma interdisciplinar, aplicada ao dia a dia das pessoas - sejam elas de quaisquer áreas de atuação - e ajustadas às necessidades de quem opta por esse serviço.
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Consultoria em promoção de diversidade
Temos percebido um movimento positivo de criação de comitês de diversidade nas instituições. Com a consultoria, podemos traçar juntos a criação desses espaços de diálogo e definir estratégias de como fortalecer uma cultura de garantia de direitos humanos.
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Minha empresa quer doar

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    Depoimento de professora de Campo Largo
    Em 2022, nosso colégio foi ameaçado de massacre. Funcionárias acharam papel em que estava escrito o dia e a hora que seria o massacre (08/11 às 11h). Também tinha recado na porta interna dos banheiros feminino e masculino. Como gestoras, fizemos o boletim de ocorrência na delegacia e comunicamos o núcleo de educação. A partir desta ação, todos as outras foram coordenadas pela polícia e pelo núcleo. No ambiente escolar gerou um pânico. Alunos começaram a ter diariamente ataque de ansiedade e pânico. Muitos pais já não enviavam os filhos para o colégio. Outros pais da comunidade organizaram grupos paralelos no whatsapp, disseminado mais terror e sugestões de ações que nós deveríamos tomar. Recebemos esporadicamente a ronda da polícia, que adentrava no colégio e fazia uma caminhada e, em seguida, saía. Foram dias de horror. No dia da ameaça, a guarda municipal fez campana no portão de entrada e tivemos apenas 56 alunos durante os turnos da manhã e tarde. Somente um professor não compareceu por motivos psicológicos. Nenhum funcionário faltou. Destacamos que o bilhete foi encontrado no banheiro, na segunda-feira, dia 31 de outubro de 2022, após o segundo turno eleitoral. Com isto, muitos estavam associando o bilhete com caráter político. A polícia descartou essa possibilidade. Enfim, no dia 08, não tivemos nenhuma ocorrência. A semana seguinte foi mais tranquila. E assim seguimos. Contudo, esse é mais um trauma na carreira para ser suportado, sem nenhum olhar de atenção e de cuidado das autoridades. Apenas acrescentamos outras ameaças (as demandas pedagógicas) e outros medos.
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    Aprendendo a ter conversas corajosas sobre direitos humanos
    Neste workshop, os colaboradores aprenderão princípios básicos da metodologia de Círculos de Diálogos, adaptada pelo Instituto Aurora para o contexto corporativo.
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    Construindo uma Cultura de Respeito e Inclusão
    Neste workshop, os colaboradores serão introduzidos a estratégias práticas para fortalecer a cultura organizacional com base nos direitos humanos. Utilizando metodologias interativas, como estudos de caso e dinâmicas reflexivas, exploraremos como criar um ambiente de trabalho mais inclusivo, alinhado a valores de respeito, equidade e diversidade.
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    Novas Lentes: ampliando percepções sobre relacionamentos interpessoais
    Neste workshop, os colaboradores serão convidados a desenvolver uma nova perspectiva sobre as relações no ambiente de trabalho. Por meio de dinâmicas interativas e da escuta de histórias pessoais, trabalharemos a empatia como ferramenta essencial para fortalecer vínculos, reduzir conflitos e construir um ambiente mais respeitoso.
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    Comunicação assertiva: primeiros passos
    Neste treinamento, utilizamos os princípios da Comunicação Não Violenta (CNV) para ensinar técnicas de diálogo claro, empático e respeitoso. Os colaboradores aprenderão a expressar suas necessidades de forma assertiva e a lidar com conflitos de maneira construtiva, promovendo relações mais saudáveis e produtivas.
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    Construindo confiança interpessoal
    Neste workshop, abordamos estratégias para criar um ambiente onde os colaboradores se sintam confortáveis para se expressar sem medo de julgamentos. Por meio de reflexões e práticas voltadas para a conexão genuína, os participantes aprenderão a fortalecer o senso de pertencimento e o engajamento dentro da equipe.
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    Diagnóstico da cultura de direitos humanos na empresa e dos riscos psicossociais associados aos direitos humanos
    O diagnóstico é essencial para a elaboração de um plano de ação eficaz e personalizado, permitindo a identificação de necessidades e otimização de recursos.
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    Elaboração da Política de Direitos Humanos
    Ter uma Política de Direitos Humanos bem estruturada e aprofundada é essencial para garantir que a empresa vá além do cumprimento normativo e realmente incorpore princípios em sua cultura organizacional. Uma política robusta não apenas orienta a tomada de decisões e define diretrizes para colaboradores, fornecedores e stakeholders, mas também fortalece a reputação da empresa e a protege contra riscos socioambientais e reputacionais.
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    Monitoramento e avaliação dos avanços
    O monitoramento e a avaliação servem para acompanhar a evolução do processo de consultoria, garantindo que as ações implementadas estejam alinhadas aos objetivos propostos e gerem impactos reais na cultura organizacional.
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